“Identificar tendências permite vislumbrar caminhos para o posicionamento estratégico de empresas e organizações, independente da área de atuação.”

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sondagens e Índices de Confiança



As sondagens empresariais e de consumo são ferramentas indispensáveis para empresários, governos e entidades de classe na análise de conjuntura e tomada de decisões. São levantamentos estatísticos, de natureza qualitativa, referentes ao estado geral da economia e suas tendências. 


As informações obtidas por meio de sondagens nacionais, setoriais ou regionais permitem identificar, antecipadamente, mudanças de tendência na economia. Além de fazer análises empresariais e concorrenciais, planejar o nível de produção adequada em função da demanda projetada, acompanhar os movimentos de absorção e liberação de mão-de-obra nos diferentes segmentos da economia, conhecer os planos de investimento do setor produtivo nacional ou de setores específicos, e projetar a evolução de preços setoriais. 

As sondagens são conhecidas pela versatilidade de seus questionários e pela rapidez com que as informações estatísticas são processadas e divulgadas. Por suas características, essas pesquisas são capazes de fornecer sinalizações precisas no próprio mês em que estão sendo realizadas, até um horizonte de três a seis meses à frente, podendo ser moldadas de forma personalizada de acordo com o interesse de empresa ou instituições públicas. 

Os resultados das sondagens podem ser apresentados de acordo com o porte da empresa, setor de atuação, localização e participação no comércio exterior. As séries históricas possibilitam análises detalhadas de diferentes segmentos da economia. 

Em mais de 36 anos de experiência em pesquisas deste gênero, a Fundação Getulio Vargas conquistou amplo reconhecimento de sua competência nesta área, consolidando uma equipe com alto padrão de excelência.


  • Sondagens da Indústria


    A Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação é um levantamento estatístico de natureza qualitativa que fornece, mensalmente, indicações sobre o estado geral da economia e suas tendências. Dessa forma, pode orientar na tomada de decisões empresariais e de política econômica.

    A divulgação da Sondagem dá ênfase ao resultados dos quesitos que tratam do presente e do futuro próximo. . A maioria das previsões é realizada para o trimestre que se inicia no mês da pesquisa, tendo como período de comparação o trimestre imediatamente anterior. 
  • Sondagens do Consumidor


    O consumo de uma economia é determinado tanto pela capacidade quanto pela pré-disposição dos agentes econômicos para o gasto. A capacidade de consumo é determinada por nível de renda e disponibilidade de ativos. Já a disposição de consumo é determinada pelas perspectivas futuras da economia, sobretudo em relação a seus reflexos sobre o mercado de trabalho e a situação financeira individual.

    Quando o consumidor está satisfeito, e otimista em relação ao futuro, tende a gastar mais; quando está insatisfeito, pessimista, gasta menos. Ou seja, a confiança do consumidor atua como fator redutor ou indutor do crescimento econômico. O monitoramento do sentimento do consumidor tem o objetivo de produzir sinalizações de suas decisões de gastos e poupança futuras, constituindo indicadores úteis na antecipação dos rumos da economia no curto prazo.  


  • Sondagens da América Latina


    A Sondagem Econômica da América Latina é uma pesquisa trimestral que serve ao monitoramento e antecipação de tendências econômicas. 

    Realizada com base em informações prestadas por especialistas econômicos, a pesquisa é aplicada com a mesma metodologia, simultaneamente, em todos os países da região, método que permite a construção de um ágil e abrangente retrato da situação econômica de países e blocos econômicos. Em julho de 2009 foram consultados 149 especialistas em 16 países.
  • Sondagem do Setor de Serviços


    A Sondagem do Setor de Serviços é a primeira pesquisa de âmbito nacional a levantar de forma sistemática informações sobre este segmento, que tem participação acima de 60% no PIB. A Sondagem do Setor de Serviços é um conjunto de indicadores mensais, de natureza qualitativa, que informa as tendências em curto prazo e o estado geral das empresas da área. Esses indicadores podem orientar a tomada de decisões empresariais e de política econômica. A série histórica teve início em junho de 2008 e os indicadores são divulgados até o quinto dia útil do mês seguinte ao de referência do dado.



  • A metodologia da pesquisa está alinhada à experiência internacional e enfatiza a evolução dos quesitos que tratam do presente e do futuro próximo.  A maior parte das previsões é realizada para o trimestre que se inicia no mês da pesquisa, tendo como período de comparação o trimestre imediatamente anterior, e é sintetizada no Índice de Confiança - que mede a percepção das empresas sobre seu nível de atividade.



  • Fonte:  Fundação Getúlio Vargas





sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Tendências - A antecipação do Futuro | Por Priscila Vanzin


Tendências são realidades prospectadas que antecipam um futuro construído através de hipóteses. Existem fragmentos do que seriam ligações e através deles acontece a construção de diversas relações, interpretadas através de uma narrativa.
Quanto mais elementos de uma estética e/ou comportamento são identificados, maior a possibilidade da tendência se tornar crível a atingir mais pessoas. É preciso partir das informações atuais e pensá-las sob diversos ângulos para que se possa projetar o futuro. Essa leitura se dá através da observação de sinais que expressam o que está acontecendo no momento, aliado à memória.
“Identificar tendências permite vislumbrar caminhos para o posicionamento estratégico de empresas e organizações, independente da área de atuação.”
Tipos de tendências
  • Ciclo curto
São mecanismos de mercado utilizados para imprimir ritmo a ele. A moda imprimiu esse ritmo de renovação constante. Elas não têm profundidade de reflexão, mas possuem tantos elementos e informações que acabam se tornando críveis. Na realidade as coisas não se renovam assim tão rapidamente, mas é preciso gerar essa idéia.
As tendências de ciclo curto são narrativas curtas, pensadas por quem domina esses mecanismos. Ex. birôs de estilos, feiras de matérias primas, empresas químicas.
No Brasil um grande exemplo desse tipo de tendências são os modismos lançados nas novelas. Os figurinistas sabem que estão propondo coisas novas e também contam com empresas que patrocinam. É todo um sistema que imprime o ritmo da moda.
  • Ciclo longo – macrotendências
Giram em torno de 18 anos. Tem seis anos de desenvolvimento e 12 anos de latência. Nesses 12 anos essa sensibilidade que proporcionou o desdobramento da macrotendência fica dormente. Tendências sociais também podem ter ciclos mais longos, de 50 a 100 anos.
Atualmente estamos num momento de ambivalência, já se passou a primeira década do século. A ideologia do século XX foi a do consumo, como forma de dar subsídios para a própria sociedade se desenvolver. Essa ideologia do consumo acabou gerando a fragmentação. Hoje essa rapidez chegou no limite, que é a linguagem que usamos para nos comunicar nos meios digitais, que é uma linguagem cortada. Hoje cada experiência do cotidiano é uma vivencia em si mesma. Vivemos em fragmentos do tempo.
  • Microtendências
Iniciam-se em microambientes relacionais. São fenômenos endêmicos que potencialmente podem se transformar em epidêmicos.
Está ligado ao conceito de tribos, mais precisamente, tribos urbanas, que apresentam formas de desenvolvimento circunscrita por alguns indivíduos que arrumaram jeitos de expressar essa subjetividade que os liga. Interpretação feita por um pequeno coletivo. Dependendo da força desse coletivo essa tendência pode ter força que reflita em indivíduos que se projetem nessa estética através de roupa, ambiente, musica, arte.
Paula Visoná lembra que “de tempos em tempos nós resgatamos a transgressão dos punks, buscamos essa linguagem para mostrar que queremos transgredir novamente.” Mas o sistema acaba transformando em consumo massificado e esvaziando o sentido da mensagem. Ou você já esqueceu da grosseira invasão das tachas pelas fast fashions?
De onde surgem as tendências?
As tendências surgem de nós mesmos. São produzidas por nossas interrelações. Construímos os fenômenos e alimentamos as sensibilidades que dão subsídios às tendências sociais.
Bens culturais são formas de expressarmos essa sensibilidade. São formar de darmos limites às subjetividades.Ligar isso é construir as tendências e entender como construir os desdobramentos futuros.
Hoje em dia as tendências são construídas através de trocas rápidas que independem de um legitimador, essa dinâmica é chamada Trickle across.
O melhor exemplo disso são as redes sociais. O que as pessoas vivenciam nessas plataformas é de responsabilidade delas. É tudo muito fluido. Por isso, é importante monitorar tribos urbanas – onde as trocas são mais constantes. Etnografia ou netnografia nos dão subsídios pra entender como essas trocas estão operando.
“Tendências são construídas a partir de fragmentos (sinais). Esses fragmentos funcionam como diálogos: textos que visam substituir fenômenos por códigos que podem ser decodificados e gerar novos sentidos”.
Precisamos entender como a sociedade vai se desenvolvendo de tempos em tempos. Tudo pode ser um sinal do que esta acontecendo e nos ligando. Acabamos codificando a sensibilidade que nos liga. Formalizamos, codificamos, lemos e identificamos o zeigeist.
Um quadro, uma musica, uma exposição de fotos, um prédio, tudo pode ser lido. Artefatos são narrativas projetuais que podem subsidiar projetos, levando a eles características que possam ser devolvidas aos indivíduos. Quando um artefato me leva a interpretação do que estou vivenciando, acabarei achando esse artefato mais interessante. É algo que se dá inconscientemente. Interpretar, dar limites e devolver para os indivíduos que acabaram se reconhecendo e dialogando com isso.
Como é possível construir tendências?
Para a construção de tendências utilizam-se análises qualitativas. Trabalha-se com hipóteses, recortes. A partir disso se ligam os dados mais recorrentes, que serão analisados posteriormente. Entender o que está acontecendo e cruzar com o que já aconteceu para entender o que vai acontecer.
Criar elos analíticos para chegar as chaves conceituais. Assim, cria-se categorias para colocar as informações. Após isso parte-se para a interpretação.
O diferencial de quem trabalha seriamente com tendências é dar uma interpretação baseada em todas as leituras possíveis. É dar um conhecimento amplo do que já aconteceu, além de um conhecimento que extrapola o setor onde se está inserido para tornar a narrativa crível. Se trabalho com moda, por exemplo, o ideal é buscar subsídios em outros campos como arte, design, arquitetura… para só depois inseri-los no contexto onde se quer aplicar.
Para entender as subjetividades de nosso tempo e construir narrativas futuras, além de sensibilidade é preciso repertório. Então, vale prestar atenção em tudo que está a nossa volta, sem preconceitos.
Pri. | @all_ice

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Comunidade "Antecipação de Tendências"

Prá você que gosta do assunto, afilie-se em: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=68201157

Coolhunter: perfil e características deste profissional

Esse artigo é muito bacana, recomendo. A autora é focada no mercado de moda, mas as características principais, a nível de formação e conhecimento, são as mesmas.

Recomendo a leitura até o fim.
Grande abraço,
Paula Paz



Artigo publicado em http://www.webartigos.com/articles/25521/1/Coolhunter-perfil-e-caracteristicas-deste-profissional/pagina1.html

Autora: Julia Picoli


A pesquisa de tendências é cada vez mais necessária no desenvolvimento de produtos, assim como a sua correta interpretação. Através do conhecimento das tendências e das atitudes dos consumidores, as empresas conseguem desenvolver seus produtos de forma a aumentar a sua aceitação. O presente artigo debruça-se sobre as práticas do coolhunting, uma das metodologias mais atuais para pesquisa de tendências, sua multidisciplinaridade e também a influência da formação dos profissionais no resultado das pesquisas. A utilização de áreas como antropoligia, sociologia, marketing entre outras, revelam-se como o suporte da metodologia utilizada pelos coolhunters devido à fiabilidade dos resultados que lhes permite alcançar.

INTRODUÇÃO

As marcas necessitam investigar os hábitos de consumo de seus clientes, bem como os lugares onde novas tendências possam ter o seu início e ser difundidas, tornando-se moda. Considerando que os ciclos de vida dos produtos são cada vez mais curtos, as empresas necessitam antecipar as tendências e acompanhar as rápidas mudanças para se manterem competitivas. Este motivo impulsionou a emergência de um novo especialista, o coolhunter.

Diversas áreas estão sendo utilizadas como ferramenta na pesquisa coolhunting, a antropologia é uma das mais evidenciadas e consiste na descrição das sociedades humanas. Com o objetivo de compreender este novo método e o perfil dos coolhunters, procedeu-se ao levantamento e análise do perfil de formação profissional e das técnicas mais empregadas. A metodologia utilizada na pesquisa foi sob forma de questionário e acompanhamento de websites pessoais de cada profissional. Este artigo faz parte da pesquisa de mestrado: A influência das tendências na criação de produtos de moda, realizada na Universidade do Minho.

COOLHUNTING

O coolhunting é um sistema de pesquisa e antecipação de tendências, consiste na identificação, no presente, das sementes de movimento que começam a se formar e se tornam moda num futuro próximo (Ferrari, 2002). Movimentos culturais, atitudes, tendências e prováveis necessidades futuras são os pontos analisados neste tipo de pesquisa: “conhecer o comportamento do consumidor é sempre bom e antecipar-se às suas tendências de consumo futuro é ainda melhor” (Rohde, 2006).

Coolhunter é o termo que denomina o profissional dedicado a identificar os possíveis padrões futuros. Aventuram-se na vida dos consumidores para entendê-los e criar uma conexão emocional que as marcas necessitam (Cortez 2006). Espalhados pelo mundo, os coolhunters têm a função de descobrir movimentos culturais e estéticos que poderão influenciar a moda, a publicidade e o design. Analisam o contexto comportamental de uma sociedade, procurando informações para elaborar os conceitos empregados nas tendências.

Substituindo ou complementando as tradicionais pesquisas de mercado, especialmente as quantitativas, a caçada ao cool, visa descobrir o que está acontecendo na cultura jovem e o que será mais importante no futuro, no sentido de constituírem tendências com alta probabilidade de consumo (Hernandéz 2004).

METODOLOGIA DE PESQUISA

Segundo Hernández (2004), os coolhunters são o novo grupo de profissionais que aplicam técnicas etnográficas e sociológicas na pesquisa de mercado.

O princípio básico da investigação é não intervir no objeto de estudo, mas sim adaptar-se ao seu contexto da forma menos evasiva possível. A principal diferença entre o coolhunting e as outras ferramentas de pesquisa é que requer um processo contínuo e não cíclico. A razão que o determina são as mudanças de nível cultural e social, que incidem em primeiro lugar, sobre os grupos e indivíduos responsáveis pela importação, criação ou adaptação das novas tendências (Hernández, 2004).

No seu processo, os coohunters recorrem a uma combinação de metodologias para melhor se adequarem às necessidades dos clientes. As técnicas de antropologia e as pesquisas qualitativas são as mais utilizadas. A antropologia é usada para conhecer e entender ao nível mais profundo os comportamentos, dinâmicas, motivações e práticas dos diferentes grupos sociais (Rodrigues, 1996). A etnografia, que procura compreender a realidade através de uma perspectiva cultural, que inclui diversas tipologias de observação, entrevistas e processos de análise documental dos traços ou rastros deixados pelas pessoas ao longo de suas rotinas (Lima e tal 1996). A observação, descrição e análise das tradições da população em estudo são os passos essenciais para a compreensão de futuras tendências. A pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, estimula os entrevistados a pensar e falar livremente sobre o tema, objecto ou conceito. Está fortemente ligada ao mercado e o investigador participa do processo.

PERFIL DO COOLHUNTER

As competências do coolhunter na aplicação das teorias, métodos e técnicas de disciplinas como sociologia, psicologia, antroplogia, marketing etc, são determinantes no resultado da pesquisa, bem como a formação profissional.

Com o objetivo de definir o perfil de formação do coolhunter, procedeu-se a identificação de 10 profissionais, com idades entre os 24 a 30 anos e ao levantamento das respectivas formações. Verifica-se na Figura 1 que 50% dos profissionais têm formação nas áreas de ciências sociais, 30% nas áreas de comunicação social e 20% em moda, marketing e administração. Apesar das diferenças registradas na formação de base, todos possuem características semelhantes: apreciam música, cinema, tecnologias e estar sempre bem informado. Manifestam um particular interesse nas pessoas e em viajar, procurar novidades e observar atitudes. Segundo as suas próprias descrições, identificam-se como pessoas contemporâneas em busca do novo. Alguns destacam ainda a curiosidade, o bom relacionamento com a sociedade, a percepção de elementos que por alguns passariam despercebidos.

O processo de busca é ininterrupto, quando conseguem interpretar as informações e detectar novas tendências, reiniciam de imediato a busca de algo mais recente, pois sua função é sempre entregar novidade em continuidade aos clientes.

CONCLUSÕES

O encurtamento do ciclo de vida dos produtos de moda determina que as pesquisas cíclicas sobre o comportamento do consumidor se revelem insuficientes para acompanhar o ritmo de mudança do mercado. A pesquisa de tendências necessita ser contínua, para que as empresas desenvolvam seus produtos com apoio em informação atualizada. O coolhunting veio contribuir para complementar a informação de mercado, com uma perspectiva inovadora, focalizada no contato e observação direta dos grupos inovadores, responsáveis pela emergência de novas tendências. Os coolhunters colaboram com recolha de informação em tempo real, o que permite às empresas maior rapidez e eficácia para satisfazer as múltiplas e crescentes exigências dos seus consumidores-alvos.

A aplicação, pelo coolhunting, das teorias, métodos e técnicas da antropologia tem possibilitado maior precisão na recolha de informação e sua interpretação. A utilização dos princípios da etnografia é particularmente relevante no negócio de moda. Tal possibilita uma pesquisa mais qualificada, pois o consumidor é observado e interpretado nos diferentes aspectos, considerando suas atividades diárias, seu ambiente de trabalho e lazer, o seu convívio social, assim como sua personalidade e princípios.

A interação favorece tanto o coolhunter como as empresas. O primeiro consegue desenvolver e interpretar melhor as suas pesquisas, conhecer os grupos e movimentos que estão na origem ou difusão das novas tendências. As empresas recebem dados analisados e estudados segundo vários ângulos, e não apenas pela perspectiva de moda, o que facilita o desenvolvimento de novos produtos a partir do conhecimento aprofundado do seu público-alvo.